Caracteriza-se pela dor localizada ou generalizada na região plantar e frontal do pé e está relacionada aos calos e as calosidades plantares. A doença pode ser classificada como metatarsalgia primária, de origem funcional ou postural, ou metatarsalgia secundária, de origem metabólica, neurológica, traumática ou iatrogênica.

A principal causa de metatarsalgia primária envolve a diferença entre o tamanho dos metatarsos (parte mediana do pé), principalmente quando o 2º e/ou o 3º metatarsos são mais longos que o 1º, ou deslocamento plantar, ou flexão plantar, de um ou mais metatarsos.

A metatarsalgia secundária ocorre por diversas condições clínicas que, indiretamente, provocam alguma deformidade, geram sobrecarga mecânica ou processos inflamatórios na região frontal do pé.

Metatarsalgias em geral podem ser encaradas como uma síndrome dolorosa do antepé.

Dor é o sintoma predominante e também o motivo da consulta

Outras alterações já podem estar presentes, provocando deformidades no metatarso e nos dedos

As causas biomecânicas de metatarsalgia constituem 92% do total dos casos, sendo que as outras causas somam 8%.

São a causa mais freqüente de dores nos pés e 80% da população normal apresenta, durante a vida, alguma forma de dor ou calosidade no antepé.

Ocorrem principalmente no adulto, sendo rara em crianças. Predominam no sexo feminino 8:1 – o que sugere o papel do tipo de calçado usado na gênese de grande parte dos casos.

Os estresses que atuam nas cabeças dos MTT durante a marcha resultam da ação simultânea da pressão contra o solo e das tensões exercidas pelos tendões e ligamentos.

Na posição de apoio sobre a ponta do pé – dedos estendidos nas articulações MTF – tensão da fáscia plantar e da musculatura intrínseca do pé, transmitindo à placa flexora plantar situada sob as cabeças dos MTT e aos sesamóides do hálux.

A resultante das forças de pressão e tensão atua sobre as cabeças dos MTT

À medida que o estresse gerado ultrapassa a resistência natural dos tecidos, estes começam a sofrer alterações (agudas ou crônicas), causando os sintomas.

No plano transverso do antepé, os MTT têm disposição em forma de raios de um arco, sendo do 1º ao 5º com divergência de trás p/ frente

Também os tendões têm essa disposição

A tensão exercida por esses músculos sobre o 1º e o 5º dedos pode ser desdobrada ao nível das articulações MTF em longitudinal e transversal.

O transversal tem sentido lateral na 1º MTF e medial na 5º MTF

Isso explica a tendência do halux desviar-se em valgo e do 5º dedo em varo.

Esses desvios fazem com que a base das falanges proximais se articulem com a cabeça dos MTT obliquamente, “empurrando” as cabeças em sentido divergente, causando o metatarsus primus varus e o metatarsus quintus valgus.

O comprimento relativo dos MTT e dos dedos influenciam a intensidade das forças deformantes sobre o antepé.

O comprimento maior do halux – “pé egípcio” – favorece o deslocamento lateral do mesmo.

O 1º MTT curto favorece a sobrecarga do 2º MTT.

Exame clínico completo:

Dor geralmente leve e pouco incapacitante e melhora com repouso (quadros iniciais).

Hiperceratose nas regiões onde se observa descarga anômala de pressões.

Procurar existência de outras patologias (gerais ou regionais).

Examinar os pés e MsIs em posição sentada ou deitada, de pé e durante a marcha (com e sem calçados)

Em geral pode-se estabelecer a patologia por esse exame, solicitando os complementares para comprovar e detalhar as alterações.

Radiografias:

Frente e perfil com apoio

Incidências oblíquas podem ser úteis para melhor visualização de estruturas específicas (articulações mediotársicas e de Lisfranc)

TRATAMENTO

Metatarsalgias leves e moderadas sem alterações estruturais ou patologias evolutivas graves.

Tratamento inicial:

Fisioterapia – desuso prolongado, disfunção neural, recuperação de trauma

Órteses plantares e modificações nos calçados:

As palmilhas têm objetivo de corrigir anomalias do apoio do pé como um todo, e das cabeças dos MTT em particular

Palmilhas de Valenti

Indicado para as metatarsalgias refratárias ao tratamento conservador

Objetivo:

Recuperação do equilíbrio mecânico, melhor distrubuição de força e menor sobrecarga.

Atendimento

Atendimento presencial e teleconsulta.

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