É uma deformidade caracterizada pelo desvio em varo do 01 metatarso do pé e o valgismo do hálux, tendo como causas fatores intrínsecos e extrínsecos.

O fator etiológico extrínseco mais importante na gênese do hálux valgo é o uso de calçados inadequados, razão pela qual a deformidade aparece quase exclusivamente em sociedades que utilizam calçados. Dentro do fator etiológico intrínseco temos os fatores anatômicos como o tipo de formato do pé, articulações, frouxidão ligamentares e doenças sistêmicas.

A deformidade do hálux valgo está relacionado a fatores hereditários e tem uma predisposição ao sexo feminino.

O diagnóstico clínico do hálux valgo está baseado na constatação da presença do desvio em valgo e graus variados de pronação do hálux, acompanhados da presença de massa que se projeta medialmente, na altura da cabeça do I metatarsiano. A pele que recobre a eminência medial pode apresentar sinais inflamatórios locais, espessamento da camada queratinizada ou mesmo ulcerações. As deformidades intensificam-se durante a ortostase.

O paciente queixa-se, principalmente, de dores sobre a região da eminência medial quando do uso de calçados mas, nos estágios mais avançados, podem surgir metatarsalgias dos raios centrais em virtude da progressiva insuficiência do I raio.

A palpação local é dolorosa e a mobilidade da articulação MTF-I pode estar diminuída em função da gravidade da deformidade ou de alterações degenerativas. Deve-se tentar estabelecer o grau de mobilidade articular da MTF-I bem como a redutibilidade da deformidade através da manobra de correção do valgismo do hálux. Dessa forma, pode ser determinado o grau de contratura da porção lateral da cápsula articular e do tendão do adutor do hálux e a eventual necessidade de liberação dessas estruturas.

Cabe ainda determinar o grau de frouxidão ligamentar geral e a presença ou não de hipermobilidade da articulação tarsometatarsial do I raio, através da mensuração goniométrica de seus movimentos de flexão e extensão. Sempre que o arco de movimento dessa articulação superar a marca de 30º (flexo-extensão), deve ser considerada a necessidade de estabilização do I raio.

O antepé assume a forma triangular e convexa, em virtude do deslocamento dos artelhos para a linha média e pela projeção plantar das cabeças dos metatarsianos centrais.

Acompanha freqüentemente o hálux valgo o desvio com subluxação do II dedo, que pode assumir posição em valgo, dorsiflexão exagerada e sobreposição ao hálux ou em varo com flexão plantar.

Os demais dedos, freqüentemente, evoluem para deformidades em garra e o V dedo pode acentuar seu varismo fisiológico, dando origem a um “joanete lateral”, conhecido como “joanete do costureiro”.

A análise da marcha demonstra a redução da duração e da amplitude do passo e a nítida tendência ao varismo e supinação de todo o pé, no sentido de evitar a distribuição de cargas na região do I raio. O hálux perde, progressivamente, sua atividade funcional, passando a não participar do desprendimento do passo, que se faz através dos dedos laterais ou mesmo sob as cabeças dos metatarsianos laterais.

É imperativa a avaliação do estado circulatório e da sensibilidade periférica dos pés acometidos pelo hálux valgo. O tratamento cirúrgico das deformidades pode ser contraindicado em condições circulatórias insatisfatórias.

A deformidade global do pé que mais freqüentemente acompanha o hálux valgo é o pé plano valgo, sendo importante sua tipificação detalhada, a fim de que as medidas terapêuticas cabíveis sejam adotadas.

Diagnóstico radiológico

Seguindo a orientação do Comitê de Pesquisa da American Orthopaedic Foot and Ankle Society, devem ser utilizados vários parâmetros radiográficos, obtidos a partir de radiografias nas incidências ântero-posterior e lateral em posição ortostática, para o diagnóstico, estadiamento e avaliação do tratamento do complexo de deformidades do hálux valgo.

Tratamento conservador

O tratamento conservador do hálux valgo tem sido baseado na educação e orientação para a escolha e uso de calçados mais largos e de saltos baixos, a fim de evitar o surgimento das deformidades. Uma vez instaladas, restanos o uso de calçados especiais com câmaras anteriores amplas e mais profundas, palmilhas compensatórias e órteses noturnas.

Exceto nos casos de hálux valgo juvenil de instalação e diagnóstico precoces, em que se pode contar com a plasticidade das estruturas capsuloligamentares e com o potencial de crescimento ósseo, o uso de órteses nas deformidades estruturadas não tem oferecido resultados muito animadores.

O tratamento cirúrgico do hálux valgo tem sido objeto de inúmeros trabalhos na literatura. Kelikian relacionou mais de 130 técnicas descritas, cada qual com suas vantagens, limitações e riscos. Em levantamento realizado há dois anos, conseguimos identificar 150 procedimentos diferentes.

Esses objetivos devem observar os seguintes princípios básicos: a) Corrigir as deformidades sem produzir incapacidade residual; b) Restaurar o padrão normal de distribuição de cargas no antepé; c) Manter a mobilidade articular sempre que possível; e d) Dispor de métodos de salvamento para o tratamento das eventuais complicações.

Com isso em mente, seguimos o algoritmo de tratamento do hálux valgo proposto por Mann. Apesar de respeitar os limites angulares originais, por vezes são incluídas novas alternativas técnicas que significam, em última análise, ampliação do arsenal terapêutico e novas respostas ao avanço na compreensão da fisiopatologia da deformidade. Nesse algoritmo, a primeira diferenciação que deve ser feita é exatamente a respeito da qualidade da articulação metatarsofalangeal do hálux – devemos diferenciar as articulações congruentes das incongruentes e daquelas em que já se detectam os sinais degenerativos.

Atendimento

Atendimento presencial e teleconsulta.

logo site branco ajustado

Ortopedista do Pé é uma marca criada pelo Dr. Rafael Ferreira Silva. Médico Ortopedista e Traumatologista especialista em Pé e Tornozelo.

ATENDIMENTO
Copyright © 2022 Ortopedista do Pé. Desenvolvido por VR1 Digital Marketing.